quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O Leproso

O Poeta não vive mais, pois se viver, morre de desgosto,
Engúia do seu próprio vomito, amargo,
causada pela dor de um colapso nervoso.
Que ele mesmo sentiu enquanto durmia!

- Mas Cachaça! - Pede o bom poeta, amargurado.
- Os poetas não deviam viver assim, isso é culpa do mundo!
Mundo obstante a tudo que eu vejo desse mundo, e eles não veêm.

"Bastardo". Só por que de tuas entranhas não sai nada que o mundo quer!
Inegualável sentimento humano, não se põe nem de leve um toque
nem ao menos, nas poucas horas que se está só, ele e o mundo.

De sua pele sai o suor que ninguém quer,
a doença que ninguém quer sentir e a dor, que só o poeta vê.
Eles bebem demais. Que não reparam quando é o momento de parar,
de cutucar a mesma ferida. Só ele sabe o seu fado.

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